DESLIGUE O COMPUTADOR E VÁ LER UM LIVRO

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Concurso Literário Revista Piauí


Hoje é um dia muito especial!
O conto "Edifício Três Marias" foi o grande vencedor do último Concurso Literário da Revista Piauí, Editora Abril. A revista comemora 3 anos e, é um grande prazer participar dessa festa.

Acesse o site da
Revista Piauí.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

edificio três marias

Terça-feira, 7:43am, Av. Brasil: "aí eu peguei e liguei na hora...", "parei de fumar semana passada e...", "acredita que engordei outra vez...", "alí ninguém presta, mesmo...", "comprei na liquidação, mas não conta...", "isso! na gaveta de baixo, abre ela...". As pessoas passavam por ele como se não existisse. Usavam roupas coloridas, uniformes, casacos, decotes. Era como se não estivessem na mesma estação, na mesma cidade, na mesma época. Ele seguia em linha reta, com um olhar altivo. Passou pela faixa de pedestres, banca de jornal, banco itaú, mercantil e bradesco. A cada minuto batia a mão no peito conferindo se a carta estava no bolso. Havia tomado banho decente e se barbeado após semanas. No pescoço, uma pequena cicatriz: culpa da navália e da falta de prática. Os sapatos estavam engraxados e combinavam com a camisa de linho. Dobrou à direita na Getúlio Vargas e quase pisou nuns pombos que bicavam a calçada. Parou por um momento e olhou pra cima. O céu, já azul, era invadido por algumas nuvens. Ao redor, alguns prédios e letreiros de publicidade. À frente, a catedral. Era bem alta, pena não ter janelas. Andou mais alguns passos e entrou no Edifício Três Marias. Disse ao porteiro que iria à radio e entrou no elevador. Avaliou que 8 andares eram suficientes. Conferiu a carta no bolso da camisa e apertou o botão do 8º. O elevador era barulhento. O Edifício, um dos mais antigos de Maringá, década de 1960. Saltou no andar escolhido assoviando as notas de Lady Writer, o andar vazio. Verificou as janelas, todas fechadas. Olhou a cidade de cima e achou antipática. Tomou impulso no corredor e pulou contra a vidraça, depois contra o vento e caiu em cima dos pombos.
Quarta-feira, 7:44am, Av. Brasil: "não soube? foi ali pertinho, na getúlio...", "rapaz novo, nem 40 anos...", "é verdade! o vidro do carro quebrou com o impacto...", "deve ser mais um desses drogados...", "parece que era escritor, mas ninguém conhece...", "tinha uma carta no bolso, mas ninguém entendeu a letra...".

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

remoto controle

4, 6, 8, 10, 13, fora do ar, 23, 25, fora do ar.
4, tiro, 8, 10, pastor, fora do ar, 23, menina com maquiagem esquisita, fora do ar. Bosta de televisão! O médico avisou que depois dos 70, isônia era comum. A menina da maquiagem até que tinha as pernas grossas, mas dançava feito bêbada. Acendeu um cigarro e fumou numa tragada só. Ai, se a filha descobrisse que estava fumando, tomava castigo. Velho não serve pra nada. Só pra tomar sopa, remédio e castigo. Ele sabia se vingar: dia desses ficou tão nervoso, que se mijou inteiro de propósito. Lalinha o xingava lá do tanque enquanto lavava suas calças e ele ria tanto, que se engasgava. Ria, tossia e engasgava.

4, tiro e pneu queimando, jô, 10, pastor segurando copo d'água, fora do ar, 23, música insuportável, fora do ar. Ele prometeu se comportar e parar de fumar quando ela ameaçou vender a tv. Pura implicância da Lalinha, dizia quando alguém perguntava. O único que se importava com o pai era o Jorge, filho mais velho. Toda vez que Lalinha ranhetava, já ia o velho pegar telefone pra ligar pro Jorge. Ele nunca atendia as ligações e lá vinha a capeta da Lalinha com a história de que o Jorge nunca atendia por não querer mais saber do pai. Mas ele sabia que o filho tinha seus negócios e qualquer dia fretaria uma Perua, e buscaria ele e a tv pra morar no seu apartamento. O velho iria na caçamba da Perua, sentindo o vento esvoaçar os poucos cabelos que lhe restavam. O filho, preocupado, daria ordem que ele segurasse com força pra não cair.
4, jornal, um beijo do gordo, 10, pastor gritando noutra língua, fora do ar, 23, menina de cabelo rosa e brinco na boca, fora do ar. A luz começou a entrar sem pressa pela cortina da sala. Controle-remoto caído no chão, passos na escada, tv fora do ar, Lalinha chorando em desespero. O velho enfim coseguiu dormir.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Twitter

Mini-contos, futilidades, barbaridades: http://twitter.com/michelqueiroz_

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Velório do tio nelson

Velório é um saco. Ainda mais quando é de parente. Só vi o tio uma vez no natal, nunca mais. Pra quê velório? Morreu, enterra! Bando de falsos chorando em cima de corpo gelado. Se era tão querido assim, por que colocar no sanatório? Cretinos. Convulsão é o escambau! Morreu foi de tristeza. Solidão. Recebeu só uma visita num aniversário - meias e cuecas. Rasgou tudo. Achei bom. Ficaram tão bravos que nunca mais foram. Depois que o vô morreu, virou essa bagunça. Duvido que não internaram ele só pra ficar com a fatia da herança. Na hora de descer o caixão, a última homenagem: discurso do irmão mais velho – Cinco minutos de pura falsidade. Não agüentei: “Se ele tá morto a culpa é de vocês!”. Meu pai me virou um tapa na boca. Cheguei em casa, outra surra. Família a gente não escolhe. Se pudesse, escolhia o tio Nelson.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A mulher que remelava

Jacira nasceu feia, de olho murcho. Quando chorava – noite sim, noite não – o olho murcho remelava. O marido só namorava de luz apagada. Depois do amor, Jacira roubava dinheiro da carteira pra jogar no bicho. Escolhia o bicho de acordo com o humor: quando estava vaidosa, jogava no avestruz, gato; quando o marido fazia agrado, jogava cavalo, touro, leão.
No aniversário de casamento comprou camisola nova, tomou banho de mangueira, passou batom vermelho na boca rachada e sombra roxa no olho que não remelava. Apagou a luz do quarto e deitou-se ensaiando pose sensual no espelho. Ficou de ladinho escondendo as varizes da perna com a mão. Olhou pro espelho novamente e se achou parecida com uma leitoa. Prometeu jogar porco no bicho. O marido não chegava. A perna direita dava câimbras. As banhas transpiravam deixando a camisola molhada. A remela do olho murcho escorreu até a boca e se misturou com a baba no travesseiro. Dormiu.
O marido abriu a porta da sala e ouviu o ronco que vinha do quarto. Decidiu nem chegar até lá e ficou pelo sofá.
Jacira acordou pela manhã com o olho tapado de remela. Levantou-se e viu o marido dormindo na sala. “Cretino”, pensou. Abriu a carteira e pegou o dinheiro do vício. Abriu novamente e pegou mais. Calçou chinelo de dedo e foi pra rua de camisola e olho-só. Pensou no marido e jogou meio a meio: burro e veado.
Se percebesse seu reflexo na vitrine, ganharia uma bolada. Bicho certo era o porco – de olho murcho e remelento.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Opinião do Leitor

Alexandre Gaioto disse:
"Esta porra está abandonada!".

Editor
responde:
"Sim, está!".

domingo, 7 de dezembro de 2008

O elevador

Valtinho entrou no elevador e cumprimentou com gentileza a doce senhora que carregava sacolas de verduras. Apertou o botão do 17° e lhe deu um sorriso. Gostou de ver a dentadura da velha meio solta na boca e lhe sorriu novamente. A senhora não poupou dentes e lhe abriu um sorriso deixando metade da dentadura pra fora da boca. Valtinho esticou a mão pra que a ponte da velha não caísse no chão, mas ela chupou a dentadura de volta e lhe mandou um beijo. Valtinho achou engraçado e retribuiu a gentileza. A velha soltou as sacolas da mão esquerda e beliscou sua coxa. Valtinho suou frio. A velha subiu um pouco a mão e alisou sua nádega. Ela soltou as sacolas da mão direita e abriu dois botões do vestido florido. Valtinho se encurralou na parede. Ela pegou uma folha de almeirão e começou a abaná-lo. Valtinho fechou os olhos. A velha abriu um botão da camisa dele e deu mordidinhas no seu peito. Valtinho se arrepiou e quando abriu os olhos viu a língua da velha em direção à sua orelha. Clamou por um milagre e a porta se abriu. Era o 17° andar. Ele saiu apressado do elevador e ganhou mais um beliscão. Olhou pra trás e viu a velha equilibrando a dentadura em cima da língua. Que pesadelo. Valtinho descobriu que preferia escadas.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

It's raining

Chovia bastante naquela noite. Ele desceu do carro velho, subiu as escadas, virou a chave e entrou. O apartamento escuro fedia a mijo. Bateu a porta, jogou a bolsa pelo caminho e se esparramou no sofá rasgado. Esticou a mão e procurou um vinil no meio da bagunça do tapete. Dire Straits. Tirou o pó do disco e o colocou pra rodar. Olhando pro teto pensava no fracasso da vida e nas notas de Sultans of Swing. “A vida é mesmo uma bosta”, pensou enquanto acendia um cigarro. Teve sede. Esticou a mão de novo procurando alguma coisa pra beber. Bateu a mão numa garrafa vazia. O som tomou conta do apartamento e ficou mais forte que o cheiro de mijo. Ele dormiu.
A luz invadiu o apartamento pela cortina rasgada e foi na direção do seu rosto. Ele resistiu, mas acordou. Viu as cinzas do cigarro no tapete. Já era dia. Já era tarde. Lavou o rosto na pia da cozinha e tomou água na torneira. Pegou a bolsa no meio do caminho, fechou a porta e foi. Dois minutos depois a porta se abriu novamente. Ele liga o toca-discos e Mark começa a cantar: “You get a shiver in the dark, it's raining in the park but meantime…”. Ele sai cantando e deixa Mark sentindo o cheiro de mijo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quem me dera ser Matias

Matias é um galã. De terninho branco e sandália de couro, não há quem o resista. A fama corre longe. Não há quem o reclame. Rosinha foi a primeira a provar o mel. Que mel. Lourdes quis também. Não se contentou numa única vez e pediu repeteco. Camélia trocou noivado e casa na capital por uma noite com o moço. Matias se meteu com a mulher do delegado. Levou uma surra que perdeu dois dentes. Não faz mal, a mulher do dentista tratou de cuidá-lo. Franzino e mirrado como é, não dão nada por ele. De dia no balcão da farmácia não atende nenhuma. Trabalho é trabalho. À noite o balconista é atração. De voltinha na praça, cumprimenta a todas com simpatia: "Como vai, Primeira Dama!", "Muito boa noite, D. Alice!", "Está muito elegante hoje, Teresa!". Quando sorri, põe o dedo na boca pra tampar a falha no sorriso. Que doce! Matias sabe que é um galã.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O Pampeiro # 2

"A Segunda é ainda melhor"

Não Perca a 2º edição de O Pampeiro. Novos contos de Michel Queiroz e Alexandre Gaioto.

Contribua com a cultura maringaense. Pague pel'O Pampeiro.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O velho do 5º andar

Sentou-se cabisbaixo na praça. Com as mãos trêmulas, abriu o jornal. Aquela leitura sempre lhe preenchia as manhãs. Resmungava qualquer coisa entre uma matéria e outra. E quando não se continha, gritava: "Safados da esquerda! Ainda querem mais um mandato!".
O pipoqueiro, o mágico, e o pastor que faziam ponto na praça todos os dias, chegaram num consenso de que o velho era louco. Não sabiam quase nada sobre ele. Sabiam que morava sozinho no 5º andar daquele prédio em frente à praça. Sabiam que o único filho morava na capital, e que às terças e sábados gostava de camisa de linho e chapéu panamá. Há uns 8 anos atrás quando o velho chegou na cidade, o pastor tentou uma aproximação, mas foi logo retrucado: "Leio a bíblia todo dia, pastor. Passar bem!".
Certa vez uma equipe de TV foi procurá-lo no prédio. O porteiro despistou dizendo que o velho tinha ido à feira. Sempre isso acontecia. A mando do velho, cada dia o porteiro inventava uma desculpa diferente: "Foi passar uns tempos em Minas", "O velho não mora mais aqui", "Desculpe, mas ele está acompanhado com três moças lá em cima". Nem o porteiro sabia quem era aquele velho, e porque fugia da imprensa. Uma vez quando lhe perguntou, foi surpreendido pela resposta do velho: "Se eu te contasse quem sou, teria que te matar!". O porteiro não sabia se ele estava brincando ou não, mas por via das dúvidas nunca mais tocou no assunto.
Numa sexta-feira, uma repórter chegou no prédio e perguntou pelo velho. O porteiro, que havia passado a noite na farra e ainda meio de fogo, disse: "O velho morreu!". A repórter abriu um sorriso e sumiu.
No sábado, o velho estava elegante de chapéu panamá e camisa de linho. Sentou-se na praça e quando abriu o jornal, se assustou ao ver sua foto na capa: "Morre solitário, um dos principais escritores do país". Sorriu, satisfeito. Deu uma boa gorjeta ao porteiro e um beijo no seu rosto. O porteiro não entendeu nada e ficou vendo o velho entrar no elevador, rindo como uma criança. "Velho bicha! Se me beijar de novo, te dou uma surra!".

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Foi dada a largada....

Ocorreu ontem (31/07), o primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Maringá. Com transmissão ao vivo pela Tv Maringá (BAND), participaram do debate os candidatos: Ana Pagamunici (PSTU), Claudemir Romancini (PSOL), Dr. Batista (PMN), Ênio Verri (PT), João Ivo Caleffi (PMDB), Rogério Mello (PT do B), Silvio Barros (PP) e Wilson Quinteiro (PSB).

É difícil definir quem se saiu melhor no debate. Wilson Quinteiro, com uma retórica ensaiada e sem gafes, demonstrou que sua campanha será baseada na oposição à administração atual, porém sem nenhuma proposta diferenciada. Ênio Verri e João Ivo Caleffi se mantiveram na retranca, preocupados em demonstrar confiança nos discursos, driblando a dificuldades que têm quanto à dicção. Ana Pagamunici, que não conseguia manter o olhar voltado às câmeras, apresentou o seu partido muito bem, porém deixou a desejar com as propostas. Dr. Batista, durante todo o debate apelou aos corações de seus pacientes, transparecendo o fato que deve ser prefeito, por ser um enviado de Deus. Silvio Barros, que tem facilidade com discursos, mostrou-se abalado pelas dificuldades judiciais que tem enfrentado. Porém, se esquivou bem das alfinetadas da oposição, com argumentos convincentes. Claudemir Romancini, que tem dificuldades para expor suas idéias, pregou a cartilha esquerda do PSOL, transformando perguntas de qualquer cunho, em respostas ligadas à condições de trabalho, salários dos operários e "gente pobre". Rogério Mello, pareceu calmo e enfatizou o seu projeto para melhoria da segurança pública em Maringá.

É importante ressaltar, que a facilidade ou dificuldade que um candidato tem em um debate, não está ligado ao seu potencial administrativo. Mais importante que exteriorizar suas idéias em um debate é ter competência e disposição para revertê-las em benefício à população.


Aguarde, pois a corrida eleitoral só está começando.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Macaco Chicão em: Semana do Folclore


(clique para ampliar)

Morfina

terça-feira, 1 de julho de 2008

Fragmento

"(...) Não se admire, minha prima; tenho uma teoria a respeito dos perfumes.
A mulher é uma flor que se estuda, como a flor do campo, pelas suas côres, pelas suas fôlhas e sobretudo pelo seu perfume.
Dada a côr predileta de uma mulher desconhecida, o seu modo de trajar e o seu perfume favorito, vou descobrir com a mesma exatidão de um problema algébrico se ela é bonita ou feia.
De todos êstes indícios, porém, o mais seguro é o perfume; e isto por um segrêdo da natureza, por uma lei misteriosa da criação, não sei explicar.
Por que é que Deus deu o aroma mais delicado à rosa, ao heliotropo, à violeta, ao jasmim, e não a essas flores sem graça e sem beleza, que só servem para realçar as suas irmãs?
É decerto por esta mesma razão que Deus só da à mulher linda êsse tato delicado e sutil, êsse gôsto apurado, que sabe distinguir o aroma o mais perfeito. (...)"
Cinco Minutos, José de Alencar.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

"O Pampeiro"


Novo fanzine em Maringá, voltado para a publicação de contos, crônicas e outros escândalos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Estelita Bate-Bate

Estelita já foi moça. Jura que foi.
Foi moça há pouco tempo. Jura que foi.
Quando moça, namorou um padre. Jura que sim.
Descobriu que ele era bicha. Jura que descobriu.
Casou-se com João Gostoso. Ficou viúva.
A vida lhe sorriu: Carlos, Manolo, Conrado.
Amores Passageiros: Eternos enquanto duraram.
No pagode, conheceu Tião.
Forte, estúpido, suado. Perfeito.
Foi lhe dar um beijo, levou um tapa. Que homem.
Lua de Mel: fratura exposta. Inesquecível.
Três surras por dia. Paraíso.
Às Pressas pro hospital: Traumatismo Craniano.
Tião mandou flores. Estelita Suspirou.
Certa vez, espancou-a e sumiu.
Ela chorou. Saudade.
Fez juras de amor. Jura que jurou.
“Tapa de amor não dói”. Jura que não.
Michel Queiroz

sexta-feira, 13 de junho de 2008

resmungos numa noite de quarta

Perdia-se na estampa quadriculada da camisa dele. Ao longe ouvia: ‘analisem a oração: é fácil alguém acreditar que é perigoso a Nilce dormir debaixo da jaqueira.’ Não sabia quem era Nilce, ou onde ficava a jaqueira. A camisa quadriculada, tinha cor de sujo, de encardido, realçando a gola esgarçada.
A eternidade deveria ser mais veloz que aquela aula. Tinha pena de sair da sala, e deixa-lo explicando a matéria para ninguém, ou para os quadriculados da camisa. Nesses dias pensava em largar a faculdade, largar a vida. Achava inútil estudar se não via graça no que estudava. Pensava o que faria da vida se largasse a faculdade, o que a vida faria com ele.
Na sala de aula, pessoas feias ostentavam falsas máscaras, com escritos hipócritas: ‘mais inteligente’, ‘mais dedicado’, ‘autodidata’, ‘história difícil, infância pobre’, ‘galinha da turma’, bicha enrustida’. Quando conversava com eles não via mais os rostos, somente as máscaras com escritos em letras garrafais. Pensava qual a máscara as pessoas viam nele. Será que já tinham percebido que tentava disfarçar sua máscara, usando uma face por cima dela?
Cansou do dilema. Esbravejou. Criticou. Sumiu. Nunca mais foi visto. Até que um dia o encontraram sozinho, resmungando como um velho, debaixo de uma jaqueira.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

É Hoje...

"Se lampião não entrar em campo, hoje dá Curintia"

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Pérola

"Esse prefeito não respeita o povo fisiológico"
Nerino pacheco

1 ano

Quase preparei uma grande festa, mas nem rolou...
Ontem o blog fez um ano - ainda não sei pra que ele serve, mas "Tamo Aí"... rsrsrs... - Agradeço a todos que sempre visitam esse espaço, e "vamo que vamo".
Grande Abraço.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cotidiano

Rodrigo Linares

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Talvez

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo...

Seria ainda mais tímido.

Cartum

Do blog do Lukas - Casa do Noca


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Fragmento

A D...
I
É uma história curiosa a que lhe vou contar, minha prima. Mas é uma história, e não um romance.
Há mais de dois anos, seriam seis horas da tarde, dirigi-me ao Rocio para tomar o ônibus de Andaraí.
Sabe que sou o homem o menos pontual que há neste mundo; entre os meus imensos defeitos e as minhas poucas qualidades, não conta a pontualidade, essa virtude dos reis, e esse mau costume dos ingleses.
Entusiasta da liberdade, não posso admitir de modo algum que um homem se escravize ao seu relógio e regule as suas ações pelo movimento de uma pequena agulha de aço ou pelas oscilações de uma pêndula.
Tudo isto quer dizer que, chegando ao Rocio, não vi mais ônibus algum; o empregado a quem dirigi-me respondeu:
-Partiu há cinco minutos.
Resignei-me, e esperei pelo ônibus de sete horas.
Anoiteceu.
(...)
Cinco Minutos, José de Alencar.

Por aí...

-Eu já não disse pra você ir pra sala?
-Mas eu to com diarréia! Ninguém é obrigado a me aguentar!
-Nem eu... Vai embora!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Janelas

Rodrigo Linares

terça-feira, 6 de maio de 2008

Livros Prediletos

A Tita Coelho, minha amiga gaúcha e ótima blogueira, me mandou um desafio. Postar 5 livros que gosto e um que ficaria apodrecendo na prateleira. Difícil selecionar, mas lá vai:
*Mensagem aos Jovens - Elen G. White;
*Melhores Contos - Lima Barreto;
*Alexandre e outros Heróis - Graciliano Ramos;
*Alguma Poesia - Carlos Drummond de Andrade ;
*Antes do Baile Verde - Lygia Fagundes Telles.
Na Prateleira:
*Todas as diarréias de Paulo Coelho.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Rádio Novo tempo

Amanhã, 26/04, vou participar novamente do Programa Espaço Jovem Novo Tempo às 15hs, na Rádio Novo Tempo, 104,9. O Programa traz em Pauta o tema "Namoro". Ouça também pelo site da rádio.
Até Lá.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sobre o Padre voador

Sei que o assunto é sério, mas é inacreditável que alguém tenha a capacidade de fazer uma viagem de 530 km (Paranaguá/Maringá), usando balões de festa.

Mas já descobriram a paradeiro dele:

terça-feira, 22 de abril de 2008

blusa verde e jaqueta de couro

no bate-papo:
Princess 24 diz: Então me liga e a gente marca....
Garanhão da Net diz: Blz, teh mais baby...
______________
ao telefone:
-às 9h no boca-quente, vou estar de blusa verde, e você lindo?
-sempre uso jaqueta de couro, baby...
______________
no boca-quente
-já quer fazer seu pedido, senhor?
-Não, valeu cara, Estou esperando alguém...
______________
45 minutos depois:
-oi, garanhão da net?
______________
(não pode ser! isso aí é a princess24? ela não tinha me falado nada sobre ser estrábica! e que blusa verde ridícula!)
______________
-não baby, você deve ter se enganado...
______________
(ela, com um olhar suspeito. ele, em fuga rápida.)

Michel Queiroz

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Blogagem Especial


Hoje esse sítio reserva um espaço exclusivo para um tema muito importante. Mais de 250 blogueiros em todo o país se mobilizam em prol da erradicação do analfabetismo.
Provavelmente você conheça alguém que não saiba ler e escrever, ou ainda alguém que apenas reconhece algumas letras e números com dificuldade, os chamados "analfabetos funcionais". Essa é a realidade vivida por MILHÕES DE BRASILEIROS em todo o país. Essa carência não atinge apenas a faixa etária acima de 60 anos, mas também jovens entre 13 e 25 anos.

A educação e a cultura, são as grandes bases para termos menores taxas de violência e miséria. Enquanto toda a população não se mobilizar na erradicação do analfabetismo, teremos que investir pesado em segurança e assistência social.


Pense: Quantas escolas não poderiam ser construídas, ao invés de presídios?


Mas de que forma você e eu poderemos colaborar com a erradicação do analfabetismo?

*Denunciando ao Conselho Tutelar de sua cidade ao encontrar crianças fora da escola.
*Fiscalizando junto ao legislativo, o destino das verbas para a educação.
*Criando projetos voluntários e separando horas de ajuda humanitária para a alfabetização.


O Brasil tem o segundo maior índice de analfabetismo da américa do Sul. Com o comprometimento dos governantes e a sua ajuda, poderemos inverter esse quadro.

Mobilize-se!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cartum

Do Blog do Lukas - Casa do Noca


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fragmento

(...)
- Não Fuma? perguntou ao marido.
- Permite?
- Já lhe disse que não me incomoda! retorquiu a moça com um assomo de impaciência.
- Desculpe-me; não tendo recebido um consentimento formal, receei contrariá-la.
- Há receios que mais parecem desejos! observou a moça com ironia.
- O tempo a convencerá de minha sinceridade.
- O tempo!... Ah! se realizasse tudo quanto dele se espera! exclamou Aurélia com acerba irrisão.
Subtraindo-se a esse ímpeto de sarcasmo, que subrelevou-lhe a alma dorida, a moça refugiou-se numa banalidade.
- O melhor é não confiar nele e viver do presente. O verdadeiro livro é o jornal com a crônica da véspera e os anúncios do dia.
(...)

Senhora, José de Alencar

quinta-feira, 3 de abril de 2008

NÃO AO NÃO


Paulinho Mixaria em Maringá

No próximo sábado (05/04), o gaúcho Paulinho Mixaria se apresentará no Teatro Marista. Com um espetáculo de 2 horas, Mixaria trás um novo repertório de piadas e "causos" do João Mentira e da cidade de Taquari.
Da última vez que esteve em Maringá, os ingressos se esgotaram antecipadamente. Eu particularmente gosto muito do seu trabalho e recomendo.

Data: Sábado (05/04)
Horário: 21 hs
Local: Teatro Marista
Valor: Inteira 30 Pila$ / Meia 15 Pila$
Traje: Bombacha e pala

quinta-feira, 27 de março de 2008

Espaço Jovem Novo Tempo



Sábado (29/03), estréia na Rádio Novo tempo 104.9, o programa Espaço Jovem Novo tempo, com apresentação de Bianca Oliveira, e participação de Sarah, Edinaldo Juarez e Michel Queiroz.


Não Percam: 29/03 às 15 horas na 104,9.


Até lá.

quarta-feira, 19 de março de 2008

No McDonald´s

-Tá gostoso?
-Ahan...
-Mas esse McFish não tem espinho não, né?

terça-feira, 18 de março de 2008

Foco Amador

"Campo de Girassóis"

terça-feira, 11 de março de 2008

O Grande Velho


No leito de morte lembrava-se das conquistas, das lutas, das ruas, dos confrontos com os militares. Não entendia como se tornou impotente. Somente o ego ainda lutava. A única luta que o corpo travava, era para se manter vivo. Não podia admitir que o filho se misturasse com aqueles safados da direita comprada. Volta e meia, berrava em delírio convocando os estudantes:


-Em frente, não baixem a guarda!


Viveu em função dos ideais esquerdistas aprendidos na universidade. Mesmo quando serviu ao exército, era disciplinado constantemente, quando flagrado em cima das mesas, propagando os ideais socialistas aos soldados. Não se importava com a farda, com as punições, nem com os superiores. Comemorou efusivamente ao ser expulso de lá, mesmo estando todo quebrado.


Seu neto ficava ao lado da cama ouvindo as longas histórias do avô, e mesmo sendo menino, já tinha afinidade com a esquerda, com o rubro e com os discursos emocionantes.


O menino contou ao avô que levara um tapa na boca do pai ao dizer que queria ser socialista. E o velho, perdeu-se nas lembranças ao recordar da surra que deu no filho quando ele se filiou num partido de direita. Era um dado viciado, um círculo vicioso. Sentia naquele momento um orgulho do neto, ao imaginá-lo nas ruas, como ele liderando um grupo com pedras na mão.


-Vovô, por que parou a história? - o menino tinha sede por ouvir o avô, que não respondeu nada, ficando estático olhando fixamente pela janela, enquanto a fábrica soltava aquela grande cortina de fumaça.


Num súbito esforço, o velho ergueu sua cabeça e segurando a mão do menino, olhou-o com amor e esperança, e numa fusão de pensamentos entre o passado e o presente, entre o real e o fantástico, a verdade e a possibilidade, gritou como nunca:


-Abaixo a repressão! Às ruas, às ruas, às ruas!


Tudo se aquietou. Inclusive o coração do menino. O velho soltou sua mão levemente, e o abandonou para sempre.


Michel Queiroz
PS: Vou publicar aqui no blog algumas coisas que escrevo, assim como esse conto. Espero que vocês gostem.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cartum

Do Blog do Lukas - Casa do Noca



sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Teresa e a Senhora

-É, a voz dela parece uns 30 anos mais velha que ela. É meio assim: (imita voz de velha).
Meu amigo Kiko lançou essa pérola quando falava da senhora que trabalha na sua casa. Me fez lembrar de um poema do Manuel Bandeira, hilário, assim como a pérola dele.
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Vem aí...


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A revolução sem o revolucionário

"Um revolucinário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral."

As 5 hs da manhã do dia 19 de fevereiro, a rádio oficial de Cuba começou a ler a carta de Fidel para os ouvintes da matina. Fragmentos da sua carta de despedida não perderam a característica marcante de oposição aos EUA: "O adversário a ser derrotado é forte, entretanto, temos sidos capazes de mantê-lo ao largo por meio século".

Fidel é sinônimo de divisão. Cuba hoje, é dividida por aqueles que não querem mais estarem automaticamente e somente à mercê do militarismo, e por aqueles que vêem vantagens em viverem submetidos ao mesmo regime.
Mesmo aqueles que são contra o militarismo sabem que Fidel, ao longo dos seus 49 anos de poder, garantiu qualidade na educação, emprego, saúde, esporte e lazer: "Esta noite, milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana". Embora os cubanos não estejam no melhor dos mundos, eles sabem também que o regime anterior era pior e têm um exemplo disso ao lado, o Haiti.
Fidel tinha fé. Fé por aquilo que lutava e sempre disposto a lutar até a morte para sustentar a sua crença:

"Comecei a revolução com 82 homens. Se tiver de fazer de novo, vou fazer com 10 ou 15 e uma fé absoluta. Não importa o quanto se é pequeno, se houver fé e um plano de ação."


terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

LUTA DE CLASSES

— Moço, quanto é?
— Dez real.
— Tudo isso? Faz um desconto, eu sou estudante...
— E eu, que sou camelô?!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

À Procura


Gosto de Cachorros. Lembro de todos os cachorros que tive desde criança. Raley, Layca, Brenda, Madona; Todos viveram por muito tempo. Raley, o vitorioso morreu com 13 anos.
Depois da morte da Madona, há uns 3 anos atrás - ela morreu acho que com 10 anos - decidimos não ter mais cachorros.

Poxa vida, você cuida, dá comida, brinca com ele, pega amor, e quando ele absolutamente faz parte da família, o irracional morre, como quem não vai deixar saudades. Esse ciclo é muito triste.

Mas, de uns tempos pra cá, simultaneamente todos lá de casa, - pai, mãe e eu - começamos a sentir necessidade de termos um novo cão. Não há coisa mais engraçada pra se pensar antes de dormir, como naquele dia em que o cachorro te dá um abraço com as patas cheias de lama, quando você está pronto para sair de casa! Ah, decidimos: Precisamos de um cachorro.

Quando saio de casa, as pupílas se dilatam atentamente à procura de algum cão perdido pela rua, ou em um Pet-Shop. As preferências se dividem entre um vira-lata de grande porte - isso sim que é cachorro - ou um poodle - cachorro de bicha - que minha mãe insiste em adotar.


Mas seja como for, teremos um cachorro em breve, e isso é o que importa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

FOCO AMADOR



POESIA CONCRETA

Augusto de Campos, 1956.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Novidade - FOCO AMADOR

Decidi colocar a câmera amadora e criatividade para trabalhar.

Gosto de fotos, e as vezes assisto à algumas situações que merecem fotos. Por isso, agora vamos ter aqui no blog o FOCO AMADOR, retratando cenas comuns do meu dia-a-dia. As fotos equivalem ao nome o quadro: amadoras, tremidas e de ohos vermelhos.

Deixo aí a primeira foto mal feita.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Câmara Municipal inicia suas atividades

Hoje, às 18 horas, os vereadores da Câmara Municipal de Maringá, participaram da primeira Sessão Ordinária do ano de 2008.
A Sessão contou com a presença do Prefeito Silvio Barros II, Secretários Municipais, Servidores Municipais, Imprensa e diversos munícipes.



Após as formalidades exigidas pelo Regimento Interno, O Prefeito fez uso da palavra, diversificando sua fala sobre diversos assuntos, enfatizando a importância do Projeto Santa Felicidade, que consiste na desocupação voluntária de moradores que queiram ter melhores condições de moradia, saneamento e segurança.


"Infelizmente os moradores do Santa Felicidade têm sido alvo de preconceitos"

O Prefeito ainda discursou sobre a transparência do seu mandato, se colocando à disposição para qualquer tipo de esclarecimento quanto à investimentos, obras e destino de recursos.
Após o pronunciamento do Prefeito os Vereadores inciaram as discussões das preposições relativas ao período da Ordem do Dia.
FOTOS: MICHEL QUEIROZ